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Queda de matrículas na educação básica: o que muda para a escola particular

O Censo Escolar 2025 registrou 1 milhão de alunos a menos em um ano. Veja em que etapa a rede privada cresceu, em qual caiu e o que isso muda na captação e na rematrícula.

Sala de educação infantil com cadeiras pequenas vazias, ilustrando a queda de matrículas na educação básica

A educação básica brasileira perdeu 1 milhão de alunos entre 2024 e 2025. Foram 46.018.380 matrículas no ano passado, contra 47.088.922 no ano anterior, segundo o Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação. (Jornal de Brasília ↗)

É a maior queda em quase duas décadas. E ela não foi igual em todo lugar: na rede privada, uma etapa cresceu e outra encolheu.

Para quem dirige uma escola particular, o dado que mais importa é o da educação infantil. É por ali que a maioria das famílias entra, e foi ali que o número de crianças caiu.

Neste artigo você vê o que o Censo mostrou em cada etapa, o que dá e o que não dá para concluir sobre a rede privada e quatro contas para fazer na sua escola antes de planejar as turmas de 2027.

Quantos alunos a educação básica perdeu em 2025?

Pouco mais de 1 milhão, uma queda de 2,3% em um ano. O Censo contou as matrículas de 178 mil escolas públicas e privadas.

O que o Censo Escolar mostrou, etapa por etapa
EtapaDe 2024 para 2025Rede privada
Educação básica (total)De 47.088.922 para 46.018.380 matrículasSem recorte nas reportagens
Educação infantilDe 9,5 milhões para 9,3 milhões, primeira queda desde 2021Creche privada caiu de 1,38 milhão para 1,35 milhão
Ensino fundamentalDe 26 milhões para 25,8 milhõesSem recorte nas reportagens
Ensino médioDe 7.790.396 para 7.370.879 matrículasAlta de 0,6%

Fonte: Censo Escolar 2025, via Jornal de Brasília ↗

Por que as matrículas estão caindo?

Por dois motivos, segundo o Ministério da Educação: há menos gente em idade escolar e há menos repetência. (Bem Paraná ↗)

O primeiro motivo é o que interessa à escola particular. O Jornal de Brasília descreve uma transição demográfica, com o nascimento de menos crianças, que já aparecia no ensino fundamental e agora chegou à educação infantil.

O segundo motivo é uma questão de fluxo. Quando o aluno repete menos, ele passa menos anos na escola, e o total de matrículas diminui sem que ninguém tenha saído do sistema.

A rede privada também perdeu alunos?

Depende da etapa e do lugar.

Na creche, a rede privada encolheu: passou de 1,38 milhão para 1,35 milhão de crianças, enquanto a creche pública cresceu. No ensino médio aconteceu o contrário. A rede privada teve alta de 0,6%, num ano em que o total de alunos da etapa caiu. (Jornal de Brasília ↗)

O Paraná mostra como o recorte local muda a leitura. Lá, a rede pública perdeu 3,3% dos alunos em um ano, e as escolas particulares foram de 476.409 para 482.763 matrículas, o maior número desde 2015. (Bem Paraná ↗)

O que dá e o que não dá para concluir
DadoO que ele mostraO que ele não mostra
Creche privada em quedaHá menos crianças pequenas entrando nas escolas pagasSe a queda vale para a sua cidade
Ensino médio privado em altaA etapa cresceu na rede paga enquanto o total do país caiuDe onde vieram esses alunos. As reportagens não dizem
Paraná com 6.354 alunos a mais nas particularesUm estado pode crescer com o país em quedaQuais escolas cresceram e quais perderam

O que a queda na educação infantil muda para a escola?

Muda de onde vem o crescimento.

Uma escola que vai do infantil ao médio costuma encher as turmas de baixo e levar esses alunos até o fim. Com menos crianças entrando, essa conta fica mais apertada. O aluno que entra aos 3 anos vale por muitos anos de mensalidade, e agora há menos deles para disputar.

Sobram três caminhos para manter as turmas cheias. Segurar quem já está na escola. Perder menos alunos nas trocas de etapa, do infantil para o 1º ano, do 5º para o 6º e do 9º ano para o ensino médio. E trazer alunos de outras escolas, que é a matrícula mais difícil, porque a família compara tudo.

Pense na mãe que tem um filho no último ano da educação infantil. Em outubro ela decide se ele fica para o 1º ano ou vai para a escola onde estuda o primo. Se a sua escola só fala com ela em novembro, com o boleto da rematrícula, a decisão já foi tomada sem a sua participação.

O que fazer com esses números na sua escola?

  1. 1

    Conte as turmas de entrada dos últimos três anos

    Berçário, maternal e primeiro ano de cada etapa. Anote quantos alunos novos entraram em cada uma.

    Por que importa: É nas turmas de entrada que a queda de nascimentos aparece primeiro.

  2. 2

    Meça quantos alunos passam de uma etapa para a outra

    Dos alunos do último ano do infantil, quantos ficaram para o 1º ano. O mesmo do 5º para o 6º e do 9º para o ensino médio.

    Por que importa: Com menos gente entrando, cada aluno que sai na troca de etapa pesa mais.

  3. 3

    Separe a rematrícula da matrícula nova

    São dois públicos e duas conversas. Quem já é da casa quer saber o que muda no ano que vem. Quem vem de fora quer saber por que trocar.

    Por que importa: Um aviso só para os dois grupos não responde a nenhum deles.

  4. 4

    Olhe os números da sua cidade

    O Censo Escolar é feito pelo Inep, que publica os dados por município e por rede.

    Por que importa: O caso do Paraná mostra que o número local pode contrariar o nacional.

Leia também: Veja os resultados de campanhas de matrícula que a RT publicou

Perguntas frequentes sobre a queda de matrículas

Quantas matrículas a educação básica teve em 2025?

Foram 46.018.380, segundo o Censo Escolar. No ano anterior eram 47.088.922. A queda foi de 2,3%.

Por que o número de alunos está caindo no Brasil?

O Ministério da Educação aponta dois motivos: a população em idade escolar diminuiu e a repetência caiu, o que faz o aluno passar menos anos na escola.

As escolas particulares estão perdendo alunos?

Depende da etapa. A creche privada caiu de 1,38 milhão para 1,35 milhão de crianças. Já o ensino médio privado cresceu 0,6%. No Paraná, as particulares chegaram a 482.763 matrículas, o maior número desde 2015.

A queda de matrículas significa menos procura por escola particular?

Os dados nacionais não permitem afirmar isso. Eles mostram menos crianças pequenas no país, mas a procura muda de cidade para cidade. Vale consultar os números do seu município.

Qual etapa merece mais atenção na captação de alunos?

A educação infantil, porque é onde há menos crianças chegando, e as trocas de etapa, porque é onde a escola perde alunos que já eram dela.

Fontes: Jornal de Brasília ↗, Jovem Pan ↗, Bem Paraná ↗. Viu algum erro? Fale com a gente.

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