Contratação de professores na escola particular: como atrair bons candidatos
Pode faltar professor no Brasil, mostra o Anuário Abrelivros 2026. Veja por que isso chega à escola particular e como anunciar a vaga para atrair os bons.

A contratação de professores na escola particular ficou mais difícil porque menos jovens estão entrando na carreira e os que estão nela pensam em sair. Para atrair bons candidatos, a escola precisa tratar a vaga como trata a captação de alunos: o professor também pesquisa a escola antes de aceitar.
O Anuário Abrelivros 2026, lançado em setembro, retoma uma projeção do Semesp segundo a qual o Brasil pode chegar a 2040 com até 235 mil professores a menos do que precisa. O país precisaria de cerca de 1,97 milhão de docentes e teria apenas 1,74 milhão. (PublishNews ↗)
Para o dono de escola, a conta chega bem antes de 2040. Fim de ano é quando a escola fecha o quadro do ano seguinte, e é nessa hora que aparece a vaga de matemática que ninguém preenche ou o professor que avisa em dezembro que não volta.
Neste artigo você vê o que os números dizem sobre quem está entrando e saindo da profissão, por que isso chega à escola particular, como o professor escolhe onde trabalhar e um passo a passo para o anúncio e a seleção da vaga.
Vai faltar professor no Brasil?
Se nada mudar, sim. O estudo do Semesp projeta um déficit de 235 mil professores na educação básica em 2040. (O Hoje ↗)
A projeção leva em conta três coisas, segundo o anuário: os professores estão envelhecendo, a carreira atrai pouca gente e muitos alunos abandonam a licenciatura antes de terminar. (PublishNews ↗)
Os dados levantados pelo Semesp a partir do Inep mostram o tamanho do problema. Entre 2010 e 2020, o ingresso em licenciaturas cresceu 53,8%, enquanto nos demais cursos o aumento foi de 76%. No mesmo período, o número de concluintes das licenciaturas cresceu só 4,3%. (O Hoje ↗)
| O que o estudo mediu | O número | O que isso significa para a escola |
|---|---|---|
| Professores com até 24 anos, de 2009 a 2021 | Caiu de 116 mil para 67 mil (queda de 42,4%) | Menos gente nova chegando para as vagas de início de carreira |
| Professores com 50 anos ou mais, no mesmo período | Cresceu 109% | Parte da equipe atual vai se aposentar nos próximos anos |
| Calouros de licenciatura com até 29 anos | Eram 62,8% em 2010 e passaram a 53% em 2020 | Muitos novos formados já são professores buscando diploma, não gente nova na carreira |
| Crescimento dos concluintes de licenciatura, de 2010 a 2020 | 4,3% | A formação de novos professores quase não aumentou |
Fonte: O Hoje ↗
Esses números valem para a escola particular?
Valem como sinal de alerta. O retrato do anuário é da rede pública, mas a escola particular contrata do mesmo grupo de professores formados.
O levantamento do anuário considera 1.908.735 docentes da rede pública. A maioria é experiente: sete em cada dez passaram dos dez anos de profissão, e cerca de 60% têm entre 30 e 49 anos. (PublishNews ↗)
Quando a formação de professores não cresce e a rede pública também precisa contratar, a escola particular disputa os mesmos candidatos. A diferença é que a rede pública faz concurso e a escola particular depende da própria reputação para que o professor certo queira trabalhar nela.
Por que os professores pensam em deixar a profissão?
Principalmente por falta de valorização e por salário baixo para o nível de formação que a função exige.
Segundo o anuário, quase 80% dos professores já pensaram em abandonar a profissão. Entre os motivos aparecem o pouco reconhecimento, alunos indisciplinados ou desinteressados, a sensação de não ter apoio da sociedade e o salário baixo. Quem dá aula e tem diploma de faculdade recebe, na média, 14% abaixo do que ganha alguém de outra área com o mesmo diploma. (PublishNews ↗)
Isso diz muito sobre o que um bom professor procura quando olha para uma escola particular. Salário pesa, claro, mas a lista também fala de respeito, de apoio para lidar com a turma e de sentir que o trabalho é reconhecido. Esses pontos dependem da gestão da escola, e o candidato tenta descobri-los antes da entrevista.
| Motivo citado no anuário | O que o candidato quer saber da sua escola |
|---|---|
| Falta de valorização | Quem é reconhecido aqui e como isso aparece no dia a dia |
| Indisciplina e desinteresse dos alunos | Como a coordenação apoia o professor numa turma difícil |
| Falta de apoio da sociedade | Como a escola trata a relação entre professor e família |
| Baixa remuneração | Qual é a faixa salarial e como funciona a progressão |
Fonte: PublishNews ↗
Como o professor escolhe em qual escola trabalhar?
Do mesmo jeito que a família escolhe a escola: ele pesquisa, pergunta e compara.
Imagine uma professora de ciências com oito anos de experiência que recebe duas propostas parecidas em dezembro. Antes de responder, ela abre o Instagram das duas escolas, procura avaliações no Google e manda mensagem para uma colega que já trabalhou numa delas. Numa, só encontra fotos de evento e anúncio de matrícula. Na outra, vê professores apresentando projetos, um coordenador conversando com a equipe e uma colega dizendo que ali o professor é ouvido. Ela já sabe qual vai aceitar antes da entrevista.
A escola que só aparece para vender vaga de aluno deixa o candidato sem resposta para a pergunta que mais importa para ele: como é trabalhar aqui. A mesma comunicação que mostra a escola para a família pode mostrar a escola para o professor, se a equipe aparecer nela de verdade.
E existe um efeito de volta. Na visita, muitos pais perguntam quem vai dar aula para o filho e se os professores ficam. Uma equipe que gosta de trabalhar na escola é um dos melhores argumentos de matrícula, e ele não se compra em anúncio.
Como fazer o anúncio da vaga de professor?
Escreva para o professor que você quer contratar, contando o que ele vai encontrar, e não só o que a escola exige.
- 1
Comece pelo que é concreto
Diga a disciplina, o segmento, a carga horária, o turno e a faixa salarial. Se a escola paga hora-atividade, oferece formação ou tem plano de carreira, coloque no texto.
Por que importa: Com salário apontado como um dos motivos para deixar a profissão, esconder a faixa salarial faz o bom candidato desistir antes de mandar o currículo.
- 2
Mostre como é o apoio no dia a dia
Conte quem é o coordenador, como funciona o planejamento e o que acontece quando o professor tem um problema com uma turma ou com uma família.
Por que importa: Indisciplina e falta de apoio aparecem entre os motivos para abandonar a carreira. Mostrar que existe apoio é responder ao medo do candidato.
- 3
Deixe os professores atuais aparecerem
Peça a dois ou três professores que topem contar, no Instagram ou no site da escola, por que estão ali e do que gostam. Sem roteiro decorado.
Por que importa: O candidato acredita mais num colega de profissão do que num texto institucional.
- 4
Divulgue onde o professor está
Além dos sites de vaga, use os grupos de ex-alunos das faculdades de licenciatura da cidade, a indicação da própria equipe e as redes da escola.
Por que importa: Com menos gente nova entrando na carreira, esperar o currículo chegar sozinho costuma deixar a vaga aberta até fevereiro.
- 5
Responda todo candidato
Tenha prazo para retorno, inclusive para quem não passou. Um e-mail curto e educado basta.
Por que importa: Professor conversa com professor. Quem foi bem tratado no processo fala bem da escola, mesmo sem ter sido contratado.
O que muda com o novo Plano Nacional de Educação?
O novo plano aumenta a exigência de formação dos professores, o que tende a deixar o profissional bem formado ainda mais disputado.
Segundo o anuário, o Plano Nacional de Educação para 2026 a 2036 traz duas metas que pesam aqui: em cinco anos, todo professor da educação básica deve ter graduação na área em que dá aula, e a fatia de docentes com pós-graduação deve subir para 70%. (PublishNews ↗)
Para a escola particular, isso tem dois lados. A escola que já apoia a formação continuada da equipe tem um argumento forte na hora de contratar. A que não apoia corre o risco de perder o professor para quem apoia, justamente quando ele termina a pós e fica mais valorizado.
Leia também: Conheça os cases de instituições de ensino atendidas pela RT
Vai faltar professor no Brasil?
Uma projeção do Semesp, retomada no Anuário Abrelivros 2026, estima um buraco de até 235 mil professores em 2040 se o ritmo atual de formação continuar. A conta junta professores mais velhos, pouca procura pela carreira e muitos alunos que largam a licenciatura no meio.
Por que está difícil contratar professor para escola particular?
Porque menos jovens estão entrando na carreira e a formação de novos professores quase não cresceu. A escola particular disputa os mesmos profissionais que a rede pública e precisa convencer o candidato de que vale a pena trabalhar nela.
O que colocar no anúncio de vaga de professor?
Disciplina, segmento, carga horária, turno, faixa salarial e o que a escola oferece em formação e apoio. Mostrar como a coordenação trabalha e o que os professores atuais dizem ajuda o bom candidato a se interessar.
Por que os professores desistem da profissão?
Segundo o Anuário Abrelivros 2026, quase 80% já pensaram em abandonar a carreira. Pesam o pouco reconhecimento, a indisciplina em sala, a sensação de não ter apoio da sociedade e o salário baixo.
Onde divulgar vaga de professor?
Nos sites de vaga, nas redes da própria escola, na indicação da equipe atual e nos grupos de ex-alunos das faculdades de licenciatura da região. Quanto mais o candidato conseguir ver como é trabalhar na escola, melhor.
Professor ganha menos que outras profissões?
Segundo o anuário, o professor da rede pública com diploma de faculdade recebe, na média, 14% abaixo de quem tem o mesmo diploma em outra área. Na rede particular, os valores dependem da convenção coletiva de cada região.
Fontes: PublishNews ↗, O Hoje ↗. Viu algum erro? Fale com a gente.
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